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É Contar e Encantar

Com o que é que te apetece sonhar hoje?

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12/12/15

Banho de Maionese (3) 1 - Na Festa dos Sentidos Emaranhados e Olhos Encarnados

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 (Samuel a narrar)

Cheguei à porta da Constança com um ramo de rosas brancas. Procurei a campainha, mas não a encontrei. As campainhas costumam ser botões quando inseridas em prédios e são salientes e estão envolvidas por um contorno quadrangular no caso de servirem casas rasteiras como a da minha... Amiga.

Não havia claramente nenhum adereço na paredes que seguisse tais padrões, portanto, bati à porta com força. Achei por bem meditar nas palavras, pelo que quando a Constança me abriu a porta, o meu regresso ao mundo real foi repentino e abrupto, tendo-me isto saído isto instintivamente:

- São brancas porque não quero fazer sexo contigo! - Ela não sabia se havia de ficar chocada, confusa ou divertida.

- Ah... Muito bem, está registado... Não te preocupes. - Riu-se por fim ao aceitar as flores. - Uau, Samuel, sinto-me lisonjeada, mas... Não é suposto isto ser um encontro.

- Oh, as minhas desculpas, não sabia qual a ocasião certa e achei por bem trazê-las na mesma, não fosse eu cometer uma falácia. 

- São verdadeiras, ena! 

- Calculei que isso ampliaria o efeito positivo sobre ti. Não sabia quantas devia trazer, por isso, decidi guiar-me pelo número de letras do teu nome, que vem de Constantius em latim. Significa constante, determinada e também uma variante medieval de Constância (o feminino de Constâncio) encontrada em escritos portugueses dos séculos XIII e XIV. (http://www.dicionariodenomesproprios.com.br/constanca/)

Cheguei a pensar que seria melhor seguir a quantidade de letras de Constantius, pois tal como as rosas podias querer que tudo fosse o mais natural possível, no entanto, por outro lado...

- Calma, eu adoro-as, são perfeitas independentemente do número. - Aproveitei a oportunidade para recuperar o fôlego. 

- Obrigado, estou-te eternamente grato por me teres interrompido. 

- Isso são tudo nervos por causa da festa? - A rapariga largou uma gargalhada. - Não te preocupes, passam-te com uma bruta duma bebedeira. Anda. - E com isto, deixando-me completamente atónito e sem palavras, pegou-me na mão e começou a andar, estava claro que chegaríamos atrasados se eu ficasse ali a matutar.

O caminho foi todo feito em silêncio, quer a andar, quer nos transportes públicos. Quando entrámos, senti que a música me penetrava de tão alta que estava. Além disso, detestava-a, era electrónica.  À minha volta, uma tempestade de sensações tomava forma - a música quase me rebentava os tímpanos (obviamente), ouvia as pessoas a rir, a falar... A vomitar, inalava diversos cheiros de toda a espécie... Era impressão minha ou alguns eram originários de ervas medicinais? Cores vibrantes por todo o lado! Das vestimentas, das luzes fluorescentes que me encadeavam e massacravam a vista. 

 Ainda a processar tanta informação, dei por mim ao pé de indivíduos que não conhecia de lado nenhum. A expressão que mostravam ao retirar prazer das ervas medicinais era estranha... Mas que raio?! Não paravam de se rir sem motivo aparente. Seria a depressão o problema deles?

- Samuel, estás com o grupo errado. - Disse a Constança do nada enquanto me arrastava para uma reunião com outros desconhecidos.

 

 

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