Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

É Contar e Encantar

Com o que é que te apetece sonhar hoje?

É Contar e Encantar

Com o que é que te apetece sonhar hoje?

07
Jun19

Já Foste!

Olavo Rodrigues

A: Não fiques aí especado a olhar para mim! Faz alguma coisa!

B: Tipo o quê?

A: Sei lá! O especialista és tu.

B: Iá... quanto a isso... menti.

A: O quê?! Então, como é que te desenrascaste com aquilo?!

B: Acho que sou só sortudo como o raio. Sabes o que se diz: "que sortudo és por me teres para resolver tudo".

A: Ninguém diz isso, 

B: Foi por isso que me safei: posso não ser um especialista, mas sou muito bom a inventar.

A: Sim, 'tá bem! De volta ao problema: como é que vamos resolver isto?! Oh, estou condenado! Toda a gente vai saber o que fiz. Como é que vou dizer à minha mãe?

B: Recompõe-te, porra! Já chegámos até aqui, não é?

A: Iá...

B: E então?... Oh, merda, fiz asneira. 

A: Nãããão! Então, não há volta a dar?

B: Népia. 

A: Oh, pá! Quando fores ao meu funeral, por favor, diz à Lisete que a amo a ela e só a ela. 

B: Acho que o teu e-mail é bastante claro em relação a isso. Corrigimos todas as frases mal escritas e ela vai delirar com o teu talento para a poesia. 

A: Ela delirava se eu não tivesse enviado o e-mail à minha professora!

B: Eu disse "ela", mas não quem. 

 

Por: Pedro Salgado e Olavo Rodrigues

 

06
Jun19

Última Hora: o Trump quase Quinou!

Olavo Rodrigues

ACTO I

Cena 1

(DONALD TRUMP/JORNALISTAS FIGURANTES/QUINO)

TRUMP está ao púlpito, numa conferência de imprensa, rodeado de jornalistas)

 

TRUMP

Eu vou tornar a América grande outra vez. O Partido Republicano está mais diversificado do que nunca. Espero que nos unamos, porque voltaremos a ser fortes como antes.

Há alguma questão?

 

(QUINO levanta a mão)

 

TRUMP

Há alguma questão?

 

QUINO

Sr. Trump? Aqui. 

 

TRUMP

Então e você? O senhor da esquerda. 

 

QUINO

Sr. Trump!

 

TRUMP

Sim?

 

QUINO

Boa tarde, chamo-me Quino Velásquez e «soy» do Wild News. Na semana passada o «señor» disse que favoreceria a classe média «si» se tornasse presidente. Com que medidas é que vai ajudá-la?

 

TRUMP

Desculpe, mas não vou responder-lhe. Eu não conheço o seu jornal e não sei se é ilegal. Próximo!

 

QUINO

Desculpe, mas o jornal para o qual eu trabalho é perfeitamente... 

 

TRUMP

Está despedido! 

(Efeito sonoro de disco riscado)

 

QUINO 

Ah... não está no seu programa. 

 

TRUMP

Oh! Vai-te (som de censura)! 

 

 

ACTO II

Cena 1

(JOHN/FRANK

JOHN e FRANK abrem o telejornal com a notícia da luta entre TRUMP e QUINO)

 

JOHN

Boa tarde! Notícia de última hora: um jornalista mexicano agrediu Donald Trump numa conferência de imprensa depois de o magnata o ter insultado, Vamos ver as imagens. 

 

(Enquanto o vídeo decorre, um novo cenário é preparado para os actores, que se encontrarão numa sala de estar. Estes serão revelados pela iluminação no fim do vídeo)

(Vídeo:

QUINO atira o microfone à cara de TRUMP, acertando-lhe. Com uma reacção imediata, os seguranças correm para o prender)

 

JOHN

Que cenário chocante, Frank! Quem diria que o grande Trump seria agredido por um jornalista. 

 

FRANK

(Levanta-se e grita)

Eu dizia! Aquele parvalhão devia ser espancado pelos piores gangues dos Estados Unidos... ao mesmo tempo! Eu levava o meu cão para o comer e depois cuspia-lhe na cara toda! E se ele não morresse depois disso, enterrava-o vivo!

 

JOHN

(Tenta acalmar FRANK, fazendo-o sentar-se)

Muito bem, voltamos já a seguir. 

 

(Fim do vídeo)

 

ACTO III

Cena 1

(KRIS/LEONARD)

 

KRIS

Uou! Isso é que é falar! Era mesmo o que aquele palhaço merecia! Força, mexicanos!... E Frank!

 

LEONARD

Não! Não acredito que estás a defender quem está a destruir o teu país. O Trump é sábio o maluco do mexicano devia ser enviado para o país da treta dele!

 

KRIS

Uou! Calma, meu. Para que são esses argumentos xenófobos? Aquele gajo só estava a fazer o trabalho dele, o Trump é que se armou em parvo. 

 

LEONARD

Ah! E isso é uma boa razão para levar com o microfone na tromba?

 

KRIS

Leonard, eu conheço-te, tu farias a mesma coisa. Ele insultou o homem à frente de dezenas de pessoas. Para além disso, os mexicanos já estão com ele até à ponta dos cabelos. Se ele construir um muro enorme como promete, milhares de vidas vão ser destruídas. 

 

LEONARD

Eu prefiro que sejam as deles do que as nossas. 

 

KRIS

Ó, vá lá, meu! Por que carga de água é que só há-de haver mexicanos maus?

 

LEONARD

Eu não disse isso. A questão é e como o Trump diz: eles enviam o pior que têm para aqui: violadores, ladrões, assassinos... queres que eu continue?

 

KRIS

Mas este é dos bons, porque trabalha e contribui para o desenvolvimento dos Estados Unidos. 

 

LEONARD

Como é que sabes? Aquela empresa pode ser ilegal. 

 

KRIS

Porquê? Porque é mexicano? Se ele fosse branco, não punhas essa hipótese, n'é?

 

(LEONARD permanece em silêncio durante um momento)

 

LEONARD

Bem, a probabilidade era menor.

 

KRIS

Estás a ver? Racista dum cabrão! Puto, nunca julgues alguém por causa da reputação do seu grupo. Até o Trump disse que há um ou dois mexicanos bons no meio daqueles muitos milhares. 

 

LEONARD

Iá, mas ainda assim os maus são a maioria, por isso, para mim é um não.

 

KRIS

Ah, é? Então, quando precisares de comprar comida, vai ao Walmart do outro lado da cidade em em vez de ires à mercearia dos Rodríguez aqui da esquina. Pode ser que assim tenhas mais tempo para pensar na tua hipocrisia. 

 

(LEONARD assume uma expressão facial de frustração e de rendição)

 

Cena 2

(KRIS/LEONARD

KRIS está numa cadeira a ler uma revista e, de repente, LEONARD chega a tremer e com uma clara expressão de medo)

 

KRIS

Então, meu, está tudo bem? Senta-te e acalma-te.

 

LEONARD

(Ele cai na cadeira)

Ó, meu Deus, acabei de ter a pior experiência da minha vida! Fui assaltado.. 

 

KRIS

O quê?

 

LEONARD 

Sim, estava no caminho para casa e, de repente, um grupo de parvalhões rodeou-me. Queriam a minha carteira.

Eu recusei dar-lha, mas eles ameaçaram-me com facas. No entanto, o que se seguiu foi impagável. 

Um gajo mexicano saltou do telhado de uma casa e caiu mesmo em cima de um dos parvalhões. KO! A seguir, os outros tentaram atacá-lo, mas o que eles não sabiam era que o mexicano sabia alguns truques de combate bem fixes. Num minutos, estavam todos no chão. 

 

KRIS

Vês? Eu disse-te. 

 

LEONARD

Sim, sim, está bem. Enfim:

 

(Começa a tocar, como música de fundo, Imagine, de John Lennon e LEONARD levanta-se)

 

LEONARD

O que significa realmente ser bom? 

(Fala para o público)

Aqui está uma das maiores questões de sempre.

(Pausa)

Pensemos no significado da palavra por um momento: remete para algo de boa qualidade e desprovido de características desagradáveis. Porém, quando analisamos a História da Humanidade, este conceito nunca pára de mudar. 

 

KRIS

Especialmente em relação à comida. 

 

LEONARD

Isto também significa que as pessoas nunca sabem exactamente aquilo querem ou de que gostam. 

 

KRIS

(Levanta-se)

Portanto, afirmar que alguém é bom ou mau sem o conhecer é algo bastante errado de se fazer. Psicologicamente, os seres humanos são as criaturas menos estáveis da Terra e sejamos sinceros: nunca ninguém conseguiu livrar-se de ser bastante imperfeito ou, pelo menos, nunca nenhuma pessoa comum o conseguiu.

Por isso, se não temos certezas acerca de nós próprios, porque haveríamos de as ter em relação ao resto da humanidade?

 

Por: David Fernandes e Olavo Rodrigues

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

06
Set17

Que Tal uma Gota de Waldorf Nisso?

Olavo Rodrigues

ACTO I

Cena 1

O PROFESSOR acaba de escrever a última fracção no quadro.

 

PROFESSOR

E é assim que se reduz uma fracção. Martim, estás a prestar atenção?

 

MARTIM encontra-se com a cabeça apoiada na mão. Parece bastante entediado. 

 

MARTIM

Sim, stôr.

 

PROFESSOR

Percebeste o que eu expliquei?

 

MARTIM

Sim, stôr.

 

PROFESSOR

Estás a usar cuecas de senhora?

 

MARTIM

Sim, s... hã, o quê?!

 

PROFESSOR

Se não aprenderes, não terás sucesso quando fores adulto. Ninguém gosta de trabalhadores preguiçosos, rapaz! Como castigo tens de dizer a tabuada do oito e ai de ti que te enganes!

 

MARTIM adopta uma postura muito tensa, endireitando o corpo ao falar depressa e como um robô. Em seguida, cai na mesa.

 

Cena 2

O PM (PAI DO MARTIM) entra na sala, cumprimenta o PROFESSOR e senta-se. 

 

PROFESSOR

Boa tarde, fico feliz por ter vindo. O seu filho está numa situação muito grave. Está sempre distraído, nunca aponta nada e adormece nas aulas. Estou preocupado com ele, pois sei que é muito inteligente. No entanto, ao não usar o seu potencial, obtém notas terrivelmente baixas. 

 

PM

Céus! Muito obrigado por me avisar! Vou falar com ele assim que chegar a casa. Ele vai melhorar, pode ter a certeza. 

 

PROFESSOR

Assim espero para o seu bem. É uma emergência. 

 

ACTO II

Cena 1

O PM entra no quarto do seu filho, o qual está a dormir com a cabeça em cima de um livro, e bate devagar na mesa para o acordar. Há material de estudo na mesa. 

 

MARTIM

Estou a estudar!

 

PM

Sim, nota-se. 

(Senta-se numa cadeira ao lado do rapaz)

Martim, o que é que se passa, filho? O teu professor disse que és tão bom aluno como o Einstein. 

 

MARTIM olha para o homem com uma expressão desesperada. 

 

MARTIM

Por favor, pai, tira-me dali! POR FAVOR! Imploro-te! Estou tão farto de fazer sempre a mesma coisa dia após dia . Estou cansadíssimo de ter de me lembrar de coisas que nunca usarei na vida, que não servem para o meu quotidiano. 

Que se dane a escola! Não é uma preparação para a vida, é uma prisão! Para que raio preciso eu de fracções?! Quero ser tudo menos matemático!

 

PM

Mas, Martim, não tens como fugir disso. Estudar dá-te conhecimento e torna-te numa mais pessoa mais inteligente. É a chave para o sucesso. Não vou permitir que sigas as minhas pegadas. Fui preguiçoso e olha no que deu. Estás proibido, ouviste?! Estás proibido!

 

MARTIM

Não! É o meu futuro e sou eu que faço as minhas próprias regras! Nunca mais vou estudar!

 

PM

Martim...! Estás de castigo!

 

MARTIM

Eu odeio a escola! 

(Depois de deitar os livros e os cadernos para o chão, sai do palco, mas volta de imediato)

Sabes que mais?! Eu odeio-te!

 

ACTO III

Cena 1

O PM está num café a beber cerveja e encontra-se visivelmente triste. Há cinco garrafas vazias na mesa. Um amigo seu chega.

 

AMIGO

Então, pá?! Isso é que foi beber! 

 

PM

O quê?! Oh, chiça! Então, pá, 'tá-se bem?

(Trocam um aperto de mão)

É a minha sexta cerveja. Porra! 

 

AMIGO

O que se passa? Normalmente, és tão cuidadoso com isso. 

 

PM

Discuti com o meu filho. As notas dele são terríveis. Estou preocupado com o futuro dele.

 

AMIGO

Porque é que isso acontece?

 

PM

Detesta estudar, aborrece-o de morte. Está desmotivado. 

 

AMIGO

Já procuraste uma alternativa?

 

PM

Qual alternativa? Não há outra maneira, ele tem de se esforçar para ser alguém na vida. 

 

AMIGO

Isso é o que tu pensas! Em relação à coisa da alternativa, claro. Enfim, porque não o inscreves numa escola Waldorf?

 

PM

Hã? Mas o que raio é isso?

 

AMIGO

É um método de ensino bastante fixe e completo. Para além do pensamento intelectual também oferece educação artística, física e espiritual. O objectivo principal é ajudar os alunos a encontrar o seu próprio caminho em vez de lhes encher a cabeça com coisas que acham desnecessárias. 

Quero dizer, eles recebem conhecimento geral até uma certa idade, mas depois escolhem uma área. E se não tiverem a certeza do que escolher, os professores ajudam-nos, respeitando o seu ritmo. 

 

PM

Parece-me óptimo! Vou pensar nisso... no método Rudolf...

 

AMIGO

Waldorf. 

 

PM

Exactamente! No método Waldorf. Muito obrigado! Adeus!

 

Os homens trocam um aperto de mão e saem do palco.

 

ACTO IV

Cena 1

MARTIM está na zona exterior da escola Waldorf.

 

MARTIM

Mas que diabo?! Estou numa escola ou numa quinta?

 

ACTO V

Cena 1

O rapaz aproxima-se da porta da sala de aula onde se encontra o P.E.W (PROFESSOR DA ESCOLA WALDORF). MARTIM mostra-se relutante ao entrar, o que capta a atenção do professor.

 

P.E.W

Então, não entras?

 

MARTIM entra e retira o material escolar ao passo que os demais se limitam a atentar no P.E.W.

 

MARTIM

Não há sumário?

 

O P.E.W solta uma gargalhada.

 

P.E.W

Calma, rapaz! Nem sequer nos conhecemos. Porque não nos falas de ti?

 

MARTIM

Bem... tenho onze anos, vivo nesta cidade...  e...

 

P.E.W

E o que é que gostas de fazer? Vai ser importante para iniciar o teu percurso nesta escola. 

 

MARTIM

Gosto de ver televisão, de sair com os meus amigos, ouvir música...

 

P.E.W

Ah, gostas de ouvir música... e tocas alguma coisa?

 

MARTIM

Toquei guitarra durante uns meses quando era mais novo, mas não me saí muito bem e acabei por me fartar.

 

P.E.W

Então, mostra lá o que vales. 

 

MARTIM

Porquê? Isso não tem grande utilidade e já tenho os dedos enferrujados, pois...

 

P.E.W

Toca lá!

 

MARTIM obedece, porém, entusiasma-se demasiado. 

 

P.E.W

Pronto, pronto! A guitarra não é uma boa opção. 

 

MARTIM

Eu avisei-o.

 

P.E.W

Experimenta cantar. Qualquer coisa de que te lembres, deixa a tua alma traduzir-se na voz. 

 

A voz de MARTIM é bastante desagradável, o que se reflecte nos rostos das outras personagens. 

 

P.E.W

Pronto, pronto! Pára, pára!

 

MARTIM

O que é? Não foi bom? Não gostou?

 

P.E.W

Quero dizer, podia ter sido melhor.

(O homem baixa o tom de voz)

Muito melhor.

 

MARTIM

O quê? 

 

P.E.W

Nada, estava só a pensar que podíamos apostar noutra coisa de que gostes... e consigas fazer. 

 

MARTIM

Gosto de desenhar, mas não sei se tenho talento. 

 

P.E.W

Tens aí alguma obra de arte que eu possa ver?

 

MARTIM

Sim, deixe-me verificar. 

 

Enquanto o rapaz procura, o P.E.W aproxima-se de uma pessoa do público para comentar o seu trabalho. Não percebe que MARTIM já está pronto.

 

P.E.W

Curto bué do que fizeste, mas o meu bigode é um bocadinho mais escuro. 

 

MARTIM

Ó, stôr, o que é que acha? Fi-lo na aula de Matemática. 

(O professor aproxima-se e agarra na folha)

Vou ter uma boa nota?

 

P.E.W

Gostas do que desenhaste?

 

MARTIM

Adoro-o. 

 

P.E.W

Então, aí tens a tua nota. Eu também o adoro, tens, de facto, imenso talento. Que tal investires nisso?

 

ACTO VI

Cena 1

MARTIM chega a casa aos pulos de entusiasmo. O PM está numa cadeira a beber cerveja. 

 

MARTIM

Pai, pai, tive um dia tão fixe! Eu pensava que a escola nova ia ser tão secante como a outra, mas enganei-me! É espectacular! Eu vou ser um desenhador! Mal posso esperar por amanhã!  

 

O rapaz sai do palco. O PM olha para a garrafa. 

 

PM

Chega de cerveja por hoje.

 

FIM!

 

Por: David Fernandes e Olavo Rodrigues.

 

Artigo sobre a pedagogia Waldorf aqui

 

 

27
Jun17

Não Há Brexit que nos Separe!

Olavo Rodrigues

ACTO I

Cena 1

Os actores vão para o palco e fazem a introdução.

 

JOÃO

O meu nome é João, sou um rapaz português e acabei de completar o curso de Comunicação Social. Não consegui encontrar emprego, por isso, decidi inscrever-me no programa Erasmus.

Confesso que me sinto algo receoso, pois o Brexit impõe barreiras em relação à comunicação internacional na União Europeia e esperava com esta experiência descobrir um novo mundo que me acolhesse, já que o meu país não o faz como deve ser.

Contudo, não sei como lidarei com as pessoas. Ouvi dizer que os ânimos estão um pouco exaltados na Inglaterra.

 

JOSEPH

Olá, malta! Eu sou o Joseph, vivo em Londres, e vou receber o João na minha casa. Participar num programa deste género sempre esteve nos meus planos, pois sou filho único e, às vezes, sinto-me sozinho. Para além disso, adoro culturas diferentes.

No entanto, os meus pais nunca me deixaram… até este ano.

(Dá um toque no ombro de JOÃO)

Prepara-te para curtir!

 

ACTO II

Cena 1

Um rapaz português entra no palco, cujo cenário é uma rua londrina, com um pedaço de papel na mão. Parece confuso e perdido.

Uma melodia de hip-hop começa a tocar e, de repente, um jovem britânico, que aparenta ter a mesma idade, surge.

 

JOSEPH

Então, meu, o que é que se passa? Posso ajudar-te?

 

JOÃO

Sim, por acaso, estou um bocado perdido. Sabes onde é que é esta morada?

 

JOSEPH

Claro que sei, eu vivo aí. Tu deves ser o J... J… J…

 

JOÃO

João.

 

JOSEPH

Exactamente! Estava só a ver se estavas a prestar atenção. ‘Bora!

 

JOÃO

‘Bora!

 

ACTO III

Cena 1

Os dois rapazes estão agora no centro do palco, num restaurante, a comer. JOSEPH está a ter dificuldade em cortar a carne.

 

JOÃO

Então… de que é que tu gostas de fazer?

 

Um naco de carne salta do prato de JOSEPH.

 

JOSEPH

Bem, antes de mais, eu gosto de comer tudo o que tenho no prato. Em segundo lugar, normalmente, vou ao parque e passo lá a tarde.

Não gosto muito de ficar em casa porque os meus pais estão sempre a… se é que me entendes. Pelo menos, é uma boa desculpa para sair de casa.

 

JOÃO

Iá… não estou muito interessado nos pormenores. Bem, no meu caso, passo muito tempo na rua, mas não é por causa das… “cenas” dos meus pais. Gosto imenso de andar de bicicleta, sair com os meus amigos… neste ano terá de ser com os teus…

Além disto, também curto ficar em casa a ver um filme, a ouvir música, a navegar na internet e por aí adiante.

 

JOSEPH

Fixe! Já acabaste?

 

JOÃO

Sim. Queres pedir a conta?

 

JOSEPH

(Eleva o volume da voz)
Eu não, farto de Matemática estou eu!

 

JOÃO

Ah… Ah… Ah! Muito engraçado. Agora pede o raio da conta!

 

JOSEPH

Eh, pá, ó, chefe?! Era a conta, fachavor!

(O empregado surge no palco e entrega a conta a JOSEPH, o qual lhe agradece com um cumprimento coreografado, que sai desajeitado)

Obrigado, meu!

 

JOÃO faz um gesto reprovador, levando a mão à cabeça. Em seguida, tira a carteira do bolso e revela uma expressão preocupada.

 

JOÃO

Oh, acabei de me dar conta de que não tenho dinheiro. O que fazemos agora?

 

JOSEPH

É na boa, eu pago a tua parte.

 

JOÃO

A sério? És muito simpático! Não esperava tanta simpatia de uma pessoa tão… especial.

 

JOSEPH

Obrigado! Não há espiga, pagas-me depois.

 

JOÃO

Muito obrigado! Então, vamos bazar! Podes mostrar-me os sítios fixes da cidade?

 

JOSEPH

Não.

 

JOÃO

Porquê?...

 

JOSEPH

(Ri-se)

Estou a gozar! ‘Bora, ainda bem que pediste.

 

Os actores abandonam o palco

 

ACTO IV

Cena 1

Aparece uma projecção que diz um ano depois. Os actores regressam ao palco e o cenário é uma rua londrina.

O telemóvel de JOÃO toca e este atende. A canção Wherever I Go da série Hannah Montana começa a tocar.

 

JOSEPH

Que se passa? Pareces preocupado.

 

JOÃO

Era o meu pai. Ele disse que a minha mãe teve um acidente de carro e como tenho um irmão mais novo…

 

JOSEPH

Tens de voltar para casa, não é?

 

JOÃO

Sim, mas não quero que a nossa amizade acabe. Ó, meu Deus! Acabei de me lembrar, não te paguei a minha parte da conta.

 

JOSEPH

Esquece isso, considera-o uma prenda de despedida. A nossa amizade nunca vai acabar, está nos nossos corações e não nos nossos países.

 

JOÃO

Iá, enquanto estivermos em contacto, estaremos sempre próximos.

 

Os rapazes despedem-se com um cumprimento coreográfico e abraçam-se. JOÃO abandona o palco e, enquanto isso, o volume da música sobe. Quando está prestes a sair, ele e o seu amigo batem no peito e fazem o sinal da paz.

 

Por: David Fernandes e Olavo Rodrigues

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D